Aproxima-se o Pinócrates do Cais e, chegando ao Arrais do Inferno diz:
Pin. Pera onde caminhais?
Dia. Pera aquele fogo ardente, Senhor. Embarcai!
Pin. Quê? Que dizeis?
Dia. Pera o Estio Eterno.
Pin. Nom hei-de eu embarcar em tal barca. Nom fiz nada pera merecer esse destino
Dia. Tu, que enganaste o teu pobre povo português, que haveis de merecer? Embarcai aqui, mais ninguém te acolherá.
Pin. Isso que dizeis é absolutamente mentira. Eu que criei um computador para as mias criancinhas…
Dia. Tu, que os copiaste, induzindo em erro teu povo.
Pin. Continuas absolutamente enganado em relação a mi pessoa. Procurarei então outra barca.
(Pinócrates procurou, no Cais, outra barca, a Barca da Glória)
Pin. Hou da Barca!
Anj. Quem vem i?
Pin. Pinócrates. Pera onde caminhais?
Anj. Pera o Paraíso, Senhor. Mas cá nom entrarás tu.
Pin. I nom entrarei eu? Mas porquê? Eu, que enquanto vivo sempre ajudei o meu pais.
Dia. Tu, que leixaste o teu pais mal, mui mal. Nunca ajudaste os que mais precisavam. Tu, que só te preocupaste com a tua própria riqueza.
Pin. Isso é absolutamente mentira. Sempre fui um político exemplar disposto a fazer o melhor pelo meu pais.
Anj. Aqui não embarcais.
Pin. E se eu…por acaso…lhe der assi um dinheirinho?
Anj. Se era isso que fazíeis enquanto vivo, aqui, comigo não o fazeis.
(Pinócrates ao perceber que não embarcaria na Barca da Glória, procurou de novo a Barca do Diabo)
Pin. Hou da Barca! Posso i embarcar?
Dia. Embarcai e tomarês um par de remos. Nom percamos mais maré.
Pin. Todavia.
Dia. Vosso amigo, Hugo Crávez, já cá embarcou. Lá o encontrarás.
Pin. Mui meu amigo ele. És porreiro pá.